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Prevenção de perdas em supermercados: como fazer adequadamente?

A adoção de uma série de tecnologias, o treinamento das equipes e até mesmo a cultura corporativa podem ter um impacto positivo na redução desse problema nas lojas

A prevenção de perdas continua sendo uma questão muito importante para a gestão do varejo. Ela é, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade e uma forte ameaça aos negócios. Oportunidade porque qualquer diminuição no índice de perdas se reverte, automaticamente, no aumento dos lucros das empresas. E uma ameaça porque quebras de produtos, furtos e problemas operacionais causam dificuldades à gestão e tornam as lojas menos convidativas para os clientes.

Para que se tenha uma ideia do quanto a prevenção de perdas é importante: nos Estados Unidos, um estudo da National Retail Federation (NRF) aponta que as perdas custam US$ 61,7 bilhões ao ano, o equivalente a 1,62% do faturamento do setor. Já no mercado brasileiro, a Abrappe indica perdas da ordem de R$ 22,44 bilhões, ou 1,36% das vendas dos varejistas entrevistados.

Para os supermercados, a prevenção de perdas é uma questão ainda mais crítica. Dos 15 setores pesquisados no Brasil, os três formatos supermercadistas (tradicional, vizinhança e conveniência) são responsáveis pelos maiores índices de perdas do varejo brasileiro. Nas lojas de conveniência, as perdas chegam a 3,32% das vendas, enquanto nas lojas de vizinhança alcançam 2,97%. Colocando de outra forma, as perdas superam a margem do negócio.

Como prevenir as perdas nos supermercados

Todo supermercadista deveria dedicar tempo, esforço, investimentos e treinamentos para prevenir perdas em suas lojas. E não existe uma “solução guarda-chuva”, que resolva todos os problemas: para combater o problema, é preciso adotar várias estratégias:

Crime organizado e perdas

Em muitos casos, as perdas decorrem de quadrilhas que se organizam para roubar cargas, assaltar armazéns ou cometer furtos nas lojas. Essas são questões de polícia, que dependem de coordenação com as autoridades para serem solucionadas. Para 60,8% dos varejistas americanos, esse é um aspecto que se tornou mais prioritário nos últimos cinco anos. E o supermercadista pode desenvolver várias ações para dificultar o trabalho de criminosos:

·      Sistemas de alarme vigilância em CDs e lojas físicas;

·      Sistemas de rastreamento e travamento de caminhões;

·      Planos de ação estabelecidos com as autoridades para melhorar o tempo de resposta.

Furtos nas lojas

Os furtos em supermercados exigem uma atenção constante das equipes e muita sensibilidade. Não são poucos os casos de pessoas que se sentiram assediadas, ou foram tratadas de forma desproporcional, por profissionais de segurança desconfiados de alguma ação criminosa.

Esse é um tema delicado, pois interfere diretamente na imagem que a loja transmite aos clientes. Níveis de segurança ostensivos comunicam que o supermercado não confia no público e uma proteção excessiva a produtos dificulta a experiência de consumo.

Preste atenção aos seguintes aspectos:

·      Treine a equipe de segurança para realizar uma abordagem discreta;

·      Utilize câmeras para vigilância e adote sistemas de Inteligência Artificial para identificar comportamentos suspeitos;

·      Preste atenção a itens pequenos e de alto valor, que são os mais visados;

·      Adote sistemas de proteção como totens na entrada da loja;

·      Utilize cartazes e painéis para informar que a loja conta com câmeras de vigilância;

·      Estruture a loja, sempre que possível, com um layout aberto, que evite pontos cegos. Quanto mais transparência, menos furtos.

Furtos por colaboradores

Especialmente nas operações de retaguarda, existe a possibilidade de que os próprios colaboradores desviem produtos. No mercado americano, o chamado “furto interno” ganhou prioridade para 58% dos varejistas. O combate a esse tipo de furto passa por várias ações:

·      Alinhamento dos colaboradores ao propósito e valor da empresa;

·      Senso de pertencimento: quanto mais os colaboradores sentirem que são parte do sucesso do negócio, menores os índices de furto;

·      Controle da entrada e saída dos estoques, para aumentar a possibilidade de identificação de qualquer perda;

·      Vigilância e procedimentos de segurança claros e visíveis.

Quebras operacionais

Grande parte dos esforços de prevenção de perdas dos supermercados está concentrada em evitar quebras operacionais. São aqueles casos em que um produto cai no chão, estraga ou passa da data de vencimento. Em qualquer dessas situações, o item deve ser retirado da loja e se transforma em prejuízo para o lojista.

Evitar essas situações passa por diversas medidas:

·      Sistemas de análise preditiva permitem identificar produtos que estão próximos do vencimento;

·      Usar a tecnologia a seu favor para comprar melhor, adquirindo a quantidade certa dos produtos certos e evitando que itens “encalhem”;

·      Definir uma política automatizada de demarcações para estimular a venda de produtos antes do vencimento;

·      Contar com processos estabelecidos de armazenagem e manuseio de itens sensíveis, como alimentos perecíveis.

Evite o “estoque virtual”

Um erro comum no varejo, especialmente nos supermercados, é o “estoque virtual”, quando um produto está disponível no sistema, mas não existe mais fisicamente. Isso pode acontecer por furtos, quebras operacionais, itens vencidos ou mesmo erros de registro no checkout. Para diminuir esse erro, esteja atento ao seguinte:

·      Realize inventários periódicos ou disponha de soluções tecnológicas que façam inventário em tempo real;

·      Treine as equipes para que elas não registrem produtos incorretamente (digitando o código de um item similar) ou em dobro (passando o item várias vezes) no checkout.

O papel da tecnologia na prevenção de perdas

A transformação digital pode ter um papel muito importante na prevenção das perdas nos supermercados. Assim como já está acontecendo no merchandising em supermercados, a prevenção de perdas tem muito a ganhar com a intensificação do uso de dados e a adoção de novas tecnologias. Plataformas de análise de dados, por exemplo, têm uma importância cada vez maior no entendimento do comportamento dos clientes e na gestão dos pontos de venda.

Uma tecnologia que ganhará força nos próximos anos é a Internet das Coisas (IoT). O uso de sensores interconectados facilita, por exemplo, a identificação dos itens que estão próximos do vencimento, melhora a experiência de consumo e permite automatizar ainda mais a precificação dos produtos. Isso explica por que 70% do varejo americano pretende adotar IoT no piso de vendas nos próximos anos.

O avanço da Inteligência Artificial nos próximos anos aumentará ainda mais a digitalização dos supermercados e fará com que os pontos de venda sejam cada vez mais eficientes. O uso intensivo de dados e tecnologia, aliado ao treinamento das equipes e à sensibilidade para entregar melhores experiências aos clientes, irá transformar cada vez mais as estratégias de prevenção de perdas nos supermercados brasileiros.

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